Os "Milagres" do Nosso Santo
É muito claro pra mim o quanto a Igreja Católica está desesperada com sua perda de fiéis. Nos últimos anos ela tem perdido espaço para evangélicos, espíritas, muçulmanos, e até para o agnosticismo e ateísmo. Qual a solução então ? Criar santos ! E só agora resolveram dar importância ao nosso insignificante país de terceiro mundo, mas que possui 125 milhões de católicos. Ótima estratégia para tentar recuperar fiéis. Mas vamos aos supostos "milagres" que canonizarão nosso Frei Galvão no próximo dia 11 de Maio. Primeiro houve a "impressionante" cura da menina Daniela da Silva, internada com hepatite B e encefalopatia hepática. Que tal lermos isso: "A maioria das pessoas que pega o vírus da hepatite B cura sozinha (nove em cada dez) e não precisa de tratamento específico." Hmmm...interessante. Ou que tal essa ? "Mesmo que a maioria das encefalopatias seja reversível pelo tratamento, o desenvolvimento dela significa uma doença hepática mais severa." Em outras palavras, o que esta menina sofreu (que é uma doença realmente terrível), não é incurável. E lembremos também que durante todo este tempo, ela estava sob cuidados médicos !! Talvez se ela fosse curada sem nenhuma assistência médica, internações, ou remédios, seria algo mais impressionante.
O segundo "milagre" foi o nascimento complicado do menino Enzo, sua mãe tinha útero bicorne, o que dificulta muito a gestação. Apenas dificulta, mas não impossibilita. "As anomalias nos órgãos reprodutores femininos, como o útero bicorne ou um colo uterino débil...aumentam o risco de aborto." Sandra, a mãe, já havia perdido 4 fetos, e resolveu então fazer uma cerclagem cervical preventiva, para evitar o fim de outra gravidez. Ué ?! Achei que ela foi curada por um milagre e não pela ciência e medicina moderna. Mais uma vez, se ela tivesse o filho sem ajuda alguma da medicina ou intervenções cirúrgicas, aí sim eu ficaria impressionado.Resumo, não houve milagre algum, apenas dois casos isolados de pura sorte. Milagre pra mim é algo realmente impossível acontecer. Nascer membros amputados, tetraplégicos competirem 100 metros rasos, ou dormir com síndrome de down e acordar zerado. Estes sim seriam milagres.Outra observação a ser feita é sobre a probabilidade de ser "curado" pelas pílulas milagrosas do Frei. Ele morreu há 185 anos, em 1822. Imaginando que durante estes anos, todos os 52 domingos do ano, 100 fiéis roguem por curas. Chegaremos a 962.000 preces onde apenas duas foram supostamente atendidas. Isto é uma probabilidade de "cura" de 0,0002%. Prefiro as chances da ciência moderna.Mas a Igreja não está interessada em verificar as evidências e tomar decisões responsáveis. O importante agora é ter mais santos !! Vamos recuperar os fiéis que trocam seis por meia dúzia, saindo de uma religião inócua para outra.
http://leandroparente.blogspot.com/2007/02/os-milagres-do-nosso-santo.html
Provas de que Emmanuel não existiu
Emmanuel, o guia de Chico Xavier
Este artigo busca fornecer fortes evidências de que Emmanuel, principal controle ou guia do alegado médium Chico Xavier, na verdade nunca existiu.
Emmanuel, o mais constante guia ou controle do médium Chico Xavier, responsável pela confecção de dezenas de livros, afirma em sua obra “Há Dois Mil Anos” ter sido em uma vida passada o senador Públio Lentulus Cornelius, que conviveu com Jesus Cristo.
Houve de fato alguns “Públios Lentulus” na história de Roma, mas nenhum deles se encaixa na personagem referida no romance “Há Dois Mil Anos”. De fato, o único indício de sua existência seria uma famosa carta que descreve Jesus. Segundo o site espírita http://www.guia.heu.nom.br/retrato_de_jesus.htm há ao menos quatro versões da carta. Não vou reproduzir aqui todas as diferentes versões da carta, apenas a mais abrangente delas e outra. Os interessados podem ir ao site indicado para ver as demais. Eis a primeira delas:
“SABENDO que desejas conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, que vive atualmente, de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade; e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas coisas que nela se acham ou, que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas deste Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, numa palavra, - é um homem de justa estatura e muito belo no aspecto e, há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a temê-lo ou amá-lo. Tem os olhos da cor da amêndoa bem madura, são distendidos até a orelha e, da orelha até os ombros, são da cor da terra, porém, mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando o cabelo, na forma de uso entre os Nazarenos. O seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, […] [muito parecido com sua mãe, que é de peregrina beleza, uma das belas mulheres da Palestina]
“A BARBA é espessa, semelhante ao cabelo, não muito longa, mas, separada pelo meio; seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros, [o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol …] [porém ninguém pode olhar fixamente o seu semblante porque, quando resplende, apavora, quando ameniza, chora; faz-se amar e é alegre com gravidade].
“DIZEM que nunca ninguém o viu rir [em público], mas, antes, chorar. […] Na palestra, contenta muito, mas, o faz raramente e, quando dele nos aproximamos, verificamos que é muito modesto na presença e na pessoa. Se a majestade tua, ó César, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível. [… ] [tenho sido grandemente molestado por estes judeus] Caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, mas, em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas regiões. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como divino, mas, outros me querelam, afirmando que é contra a lei da tua majestade […] Dizem que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário: aqueles que o conhecem e que com ele têm praticado afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém, à tua obediência estou prontíssimo, aquilo que tua majestade ordenar será cumprido. Salve. Da tua majestade, fidelíssimo e obrigadíssimo. Publius Lentulus, presidente da Judeia. Indicção sétima, lua segunda.”
A Catholic Encyclopedia, iniciada em janeiro de 1905 e terminada em abril de 1914, fornece os seguintes motivos para a carta ser fraudulenta:
“Nunca houve um Governador de Jerusalém; não se sabe de nenhum Procurador da Judéia que tenha se chamado Lentulus e um governador romano não teria se dirigido ao Senado no modo representado. Por último um escritor romano não teria empregado as expressões, “profeta da verdade”, “filhos de homens” ou “Jesus Cristo”. Os dois primeiros são idiomas hebreus, o terceiro é tomado do Novo Testamento. A carta, portanto, dá uma descrição de Jesus tal como a religiosidade cristã concebeu-o.”
Lembro que a própria Igreja Católica teria todo o interesse em aceitar tal carta como autêntica, já que forneceria uma prova material da existência de Jesus. O fato da própria Igreja considerar a carta fraudulenta em que pese interesses contrários mostra grande honestidade de pesquisa neste caso. O livro “Há Dois Mil Anos” não reproduz o conteúdo da carta, mas diz na página 96:
“Naquele dia, Públio Lentulus ocupou-se tão somente de encher numerosos rolos de pergaminho, para mandar ao companheiro de luta notícias minuciosas de todas as ocorrências. Entre elas estava a boa-nova do restabelecimento da filhinha, atribuído ao clima adorável da Galileia. Mas, como possuía naquele valoroso descendente dos Severus uma alma de irmão dedicado e fiel, a cujo coração jamais deixara de confiar as mais recônditas emoções do seu espírito, escreveu-lhe longa carta, em suplemento. com vistas ao Senado Romano, sobre a personalidade de Jesus-Cristo, encarando-a serenamente, sob o estrito ponto de vista humano sem nenhum arrebatamento sentimental.”
Das quatro versões, penso que a que possui menos arrebatamento sentimental é esta (outras pessoas podem discordar, mas isso não será problema, já que todas as versões possuem praticamente os mesmos problemas):
“[…] ULTIMAMENTE, apareceu na Judeia um homem de estranho poder, cujo verdadeiro nome é Jesus [Cristo], mas, a quem o povo chama ”O Grande Profeta” e seus discípulos, ”O Filho de Deus”. Diariamente contam-se dele grandes prodígios: ressuscita os mortos, cura todas as enfermidades e traz assombrada toda Jerusalém com sua extraordinária doutrina. É um homem alto e de majestosa aparência […]; cabelo da cor do vinho, desce ondulado sobre os ombros; dividido ao meio, ao estilo nazareno. […] Barba abundante, da mesma cor do cabelo; […] as mãos, finas e compridas; olhos claros, [plácidos e brilhantes]. É grave, comedido e sóbrio em seus discursos. Repreendendo e condenando, é terrível; instruindo e exortando, sua palavra é doce a acariciadora. Ninguém o viu rir, mas, muitos o viram chorar. Caminha com os pés descalços e a cabeça descoberta. Vendo-o à distância, há quem o despreze, porém, em sua presença não há quem não estremeça com profundo respeito. Quantos se acerquem dele, afirmam haver recebido enormes benefícios, mas há quem o acuse de ser um perigo para a tua majestade, porque afirma publicamente que os reis e escravos são iguais perante Deus”’ (do ciclo de Pilatos, achado em Aquileia em 1580).
Evidentemente, como a carta não está reproduzida no livro, não é possível afirmar com base na carta que o livro em si seja uma fraude histórica, mas continuamos com o problema da falta de evidência de tal personagem. O que poderia ajudar-nos a resolver de vez a questão?
O nome das personagens. Um senador romano jamais erraria a construção romana dos nomes. O nome da filha de Lentulus, Flávia Lentúlia, é uma verdadeira aberração nesse sentido, segundo o pesquisador José Carlos Ferreira Fernandes. Eis o que foi-me informado a respeito disso:
“A menina era filha de um Cornélio Lêntulo e de uma Lívia; se o pai seguisse o uso patrício tradicional, ela chamar-se-ia Cornélia, e nada mais. Admitindo-se, contudo, que os pais fossem menos “tradicionalistas”, e mais abertos a algumas novidades já presentes na onomástica romana na primeira época imperial, algumas possibilidades poderiam ser consideradas para a denominação dessa menina; em ordem decrescente de probabilidade, seriam elas:
a) Cornélia, a denominação mais provável, utilizando apenas o gentílico paterno, ainda atestada entre os Cornélios da época imperial, inclusive entre os próprios Cornélios Lêntulos;
b) Cornélia Livila, na qual ao gentílico paterno acrescentar-se-ia uma forma diminutiva “cognominizada” do gentílico materno, indicando que a moça em questão era filha de um Cornélio e de uma Lívia;
c) Cornélia Lívia, uma polinomia, na qual, ao gentílico paterno acrescentar-se-ia o gentílico materno, também para se indicar que a moça em questão era filha de um Cornélio e de uma Lívia;
d) Lívia Lentulina (ou Lentulila), na qual, ao gentílico materno, acrescentar-se-ia uma forma feminina conveniente (no diminutivo afetuoso) do cognome “Lêntulo”; dar-se-ia ênfase ao fato de a menina ter em suas veias sangue dos Lívios, sem desdenhar o fato de que também tinha sangue dos Cornélios Lêntulos;
e) Cornélia Lentulina (ou Lentulila), na qual, ao gentílico paterno, acrescentar-se-ia uma forma feminina conveniente (no diminutivo afetuoso) do cognome “Lêntulo”;
f) Cornélia Lívia Lentulina (ou Lentulila), mesmo caso anterior, mas com o uso de dois gentílicos, o paterno e o materno (polinomia); enfim,
g) Cornélia Livila Lentulina (ou Lentulila), na qual, ao gentílico paterno, acrescentar-se-iam como cognomes uma forma “cognominizada” do gentílico materno e uma forma conveniente (no diminutivo afetuoso) do cognome paterno.
Todas essas opções são, ao menos, plausíveis (sendo que a mais provável é a tradicional “Cornélia”, sem mais nada); no entanto, o nome escolhido foi a aberração “Flávia Lentúlia”, em termos onomásticos romanos uma autêntica monstruosidade: por que utilizar como nome gentílico da criança a forma gentílica feminina “Flávia”, se ela era uma Cornélia, e não uma Flávia, e se, além do mais, sua mãe era uma Lívia, e não uma Flávia? E (horror dos horrores!), por que acrescentar a esse gentílico extemporâneo uma forma adjetivada do cognome paterno (“Lentúlia”), de forma a torná-lo como que um gentílico, algo jamais atestado no meio e na época? Mas essa monstruosidade tem a sua razão de ser se se considera como raciocinaria alguém que tentasse adaptar elementos “romanos” à estrutura onomástica moderna, para fins de criar um nome feminino. Pois, sendo filha de “Públio Lentulus”, a menina “tinha que ter” uma forma feminina de seu “nome de família” – daí a criação “Lentúlia”; a essa forma feminina do “nome de família” deveria anteceder o seu “primeiro nome”; e, do repertório de “elementos romanos”, escolheu-se o nome “Flávia” (considerado como um “primeiro nome”, e não como aquilo que era, a forma feminina do nome gentílico “Flávio”). “Flávia Lentúlia” é um dos melhores exemplos, se não o melhor, em todo o livro, da ignorância do autor acerca das mais elementares regras onomásticas vigentes na sociedade romana que diz retratar.”
Discussão
Dado que o livro é uma fraude histórica e que Públio Lentulus não existiu, quem ou o quê se manifestou em Chico por décadas escrevendo dezenas de livros?
Há várias opções:
a) Um espírito mistificador.
b) Uma criação inconsciente do médium.
c) Uma personalidade secundária do médium.
Gauld informa em seu livro “Mediunidade e Sobrevivência” vários casos de controles ou guias considerados fictícios, com estudos apontando serem aspectos da personalidade do médium. Em um dos exemplos, diz:
Um desses médiuns foi “Hélène Smith”, de Genebra (Catherine Elise Muller), sobre quem o psicólogo suíço Theodore Flournoy escreveu um notável estudo From India to Planet Mars [Da Índia ao Planeta Marte]. A conclusão de Flournoy é que os controles de Hèléne são construções de uma camada onírica um tanto infantil de sua personalidade, e, de fato, não estão separados de sua consciência “por uma barreira impenetrável, mas ocorrem trocas osmóticas de uma para outra”.
Penso que a opção mais parcimoniosa sobre Emmanuel/Públio Lentulus é de que ele não passa de uma personalidade secundária do médium, já que há muitos estudos dando base a tal idéia. Não vejo por que Chico seria uma exceção à regra. O fato é que controles fictícios não são desconhecidos da literatura psíquica.
Conclusão
Há evidência razoável de que Emmanuel não passa de um aspecto da personalidade do próprio médium, e há evidências extremamente fortes de que sua alegada encarnação passada nunca existiu, ao menos como descrita no livro “Há Dois Mil Anos”, que fica sendo, portanto, uma fraude histórica, feita talvez de forma inconsciente, isentando assim o médium de qualquer culpa.
Referências
http://www.newadvent.org/cathen/00001a.htm (acessado dia 05/12/2007)
http://www.newadvent.org/cathen/09154a.htm (acessado dia 05/12/2007)
http://www.espirito.org.br/portal/palestras/ivan-franzolim/a-idade-de-cristo.html (acessado dia 05/12/2007)
Gauld, Alan (1986). Mediunidade e Sobrevivência. São Paulo: Pensamento.
Xavier, Chico. “Há Dois Mil Anos”, FEB, 1939.
Fernandes, José Carlos Ferreira. Análise Histórica Preliminar da Psicografia “Há Dois Mil Anos” (não-publicado).
http://obraspsicografadas.haaan.com/2007/emmanuel-o-guia-de-chico-xavier/
Arigó curou Márcia, filha de JK?
Arigó curou Márcia, filha de JK?
Segundo enorme publicidade nacional e internacional, Márcia, filha do ex-presidente do Brasil, Dr. Juscelino Kubistchek, teria sido curada por Arigó.
No “VII Congresso Internacional de Parapsicologia” (na verdade de curandeirismo), celebrado em Gênova, o engenheiro espírita Enrique (ou Henrique) Rodrigues afirmou abertamente que Márcia fora curada por Arigó de uma doença na coluna vertebral (Consta que ele sabia que não era verdade).
Arigó não fizera nada. Deteve, temporariamente, a dor pela confiança que inspirou.
Mas Márcia não se cuidou e o mal tornou a manifestar-se. Arigó não tinha curado coisa nenhuma.
Márcia tinha escoliose, desde os onze anos. “Dias melhores, dias piores, algumas dores, mas fui levando... Casei-me... Depois que minha filha nasceu, passei a ter dores horríveis... Entrei numa fase de depressão absoluta, ainda mais quando o médico me disse que eu já estava sofrendo de artrite, com a espinha encurvada alguns centímetros e que, em cinco anos, meu destino seria uma cadeira de rodas”.
Márcia teve de ir a Houston para ser operada. Uma delicada operação de 100 minutos: corte do comprimento da espinha, 8 vértebras quebradas e recompostas com grampos de metal, 2 vértebras substituídas por outras de metal. A operação foi efetuada no “Methodist Hospital”, Houston, Texas, EUA, a 17 de março de 1967.
Márcia teve que ficar deitada durante seis meses, usando um colete de gesso, do pescoço aos quadris.
O médico de Houston, Dr. Harrington, curou-a. Arigó quase a matou. (Possuímos vários documentos. Cfr., por exemplo, “O Cruzeiro”, 29 de abril de 1967, págs. 14s.)
Professor Doutor Padre Oscar González-Quevedo, S.J., Diretor-Presidente do CLAP – Centro Latino-Americano de Parapsicologia.
Fonte: O Poder da Mente na Cura e na Doença (O Outro Lado da “Cura” Mágica), São Paulo, Edições Loyola, página 320.
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=39427&cat=Artigos&vinda=S
Os Falsos Milagres do Frei Galvão
Falsas profecias que indicam Jesus como messias
Um argumento comumente usado pelos cristãos para defender Jesus como o Messias é o que diz ser impossível que alguém pudesse cumprir todas as profecias por mero acaso. Na intenção de comprovar isso, um conhecido apologista protestante lança mão de verdadeiros fogos de artifício retóricos. Vários cálculos são feitos; números com muitos zeros são usados; compara-se a probabilidade com a quantidade de moedas empilhadas e espalhadas por um grande território. Em uma leitura direta, sem usar de qualquer senso crítico, realmente tudo parece muito convincente. Dá até pra imaginar um leitor exclamando “Óhh!” diante de tudo o que foi apresentado. Mas alto lá! Nós, os céticos, também temos algumas considerações a fazer; e são quatro:
1 - La garantia soy yo:
Que garantia temos que de fato Jesus cumpriu tais profecias? Por exemplo: onde estão os registros independentes de que realmente houve um massacre de crianças recém-nascidas para que se cumprisse a suposta profecia de Jeremias 31:15, como diz Mateus 02:16-18? E quanto à traição por 30 moedas de prata supostamente profetizada em Zacarias 11:12 e considerada cumprida em Mateus 26:15? Quem garante que isso tenha acontecido? E quanto ao nascimento virginal? Havia uma equipe de “auditores proféticos” vigiando a vida conjugal de José e Maria?! A única garantia oferecida é a própria bíblia. La garantia soy yo?!
2 - Tem louco pra tudo:
Algumas supostas profecias poderiam ter sido cumpridas por qualquer maluco pretendente a Messias. Por exemplo, a famosa entrada em Jerusalém montado num jumento: qual a dificuldade de alguém fazer isso? Ficar calado perante seus acusadores também não precisa de mais nada além do desejo de querer bancar o Messias (e talvez de alguns “parafusos soltos”). Até mesmo o nosso conhecido Inri Cristo poderia fazer isto!
3 - Profecias Duvidosas:
Algumas profecias nem sequer podem ser consideradas como tais; muito menos serem aplicadas a Jesus. E não é nenhum ateu quem diz isso, e sim os Judeus, os “donos” da história. Como exemplo temos a já citada profecia da traição por trinta moedas. Se olharmos o contexto veremos que não parece tratar-se de uma profecia afinal; muito menos uma profecia messiânica. Também temos dois problemas com a suposta profecia do nascimento virginal em Isaías 07:14:
- O contexto deixa claro que a profecia é diretamente dirigida ao rei Acaz, o qual na época estava sendo ameaçado por dois reinos vizinhos. A criança prometida simplesmente seria um sinal de que Deus estaria do lado de Acaz nesse conflito.
- A palavra traduzida por “virgem” é motivo de muita controvérsia. Ela teria sido erroneamente traduzida de uma palavra habraica que na verdade significaria “jovem mulher” (que poderia ser virgem ou não). Seja como for, a passagem não assegura que a mulher daria a luz em estado virginal; algo mais ajustado à uma concepção teológica pagã, não judaica.
4 - Só as babinhas:
Como podemos ver, Jesus supostamente cumpriu apenas as profecias babinhas. Aquelas que qualquer um poderia ter escrito que ele cumpriu e ponto. Afinal papel aceita tudo. Mas e quanto àquelas que não deixariam dúvidas de que Jesus de fato era o Messias? Tais profecias, as “tough ones”, estariam muito além da mera vontade humana de concretizá-las. Cito algumas: o Messias deveria trazer a paz a toda a terra (Isaías 02:04); deveria fazer com que todos reconhecessem e adorassem um único e verdadeiro deus (Zacarias 14:09); deveria construir o templo eterno (Ezequiel 37:26) e - essa de fato não seria para qualquer um - promover a ressurreição dos merecedores (Isaías 26:19-21)!
Assim vemos que o argumento que tenta defender Jesus como o Messias, recorrendo a impossibilidade para o cumprimento das supostas profecias, por mera coincidência é extremamente ingênuo, ou mesmo desonesto.





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